DO G1
Lucas Conceição Santos, de 38 anos, suspeito de assassinar as jovens Taiane Rocha e Bruna Torres, de 19 anos,
em Petrolina (PE), confessou o crime com riquezas de detalhes, informou
a polícia nesta sexta-feira (9). As garotas foram assassinadas quando
iam ao trabalho, no Distrito Industrial, Zona Oeste da cidade.
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Lucas e o outro suspeito do caso, Lindolfo Nunes da Silva, de 40 anos, foram presos na quinta-feira (8). De acordo com ele, as duas amigas foram mortas porque reconheceram Lindolfo durante uma tentativa de assalto.
As informações e a apresentação dos suspeitos foram feitas durante uma
entrevista coletiva com os delegados Marceone Ferreira, Sara Machado e
Magno Neves, responsáveis pelas investigações.
As duas jovens saíram para trabalhar na segunda-feira (5) por volta das
6h30 mas não chegaram até a empresa. Os corpos foram achados pelo tio
de uma das vítimas, em um matagal no Distrito Industrial, perto de uma
pista de motocross, a 100 metros de distância da pista na qual
costumavam passar a pé.
As vítimas estavam nuas, com as mãos amarradas com as próprias roupas, e
apresentavam perfurações no pescoço. Segundo a perícia, Taiane foi
morta com uma perfuração e Bruna com três, todas no pescoço. Até o
momento não foi comprovado se houve violência sexual.
Crime
De acordo com a delegada Sara Machado, Lucas Conceição confessou o
crime e deu informações sobre a forma de abordagem das vítimas, como
elas foram imobilizadas e os locais das agressões que resultaram na
morte. Para a polícia, a confissão mostra detalhes que só poderiam ser
passados por quem realmente teve participação.
Jovens foram mortas na segunda-feira (5) (Foto:
Reprodução/ TV Grande Rio)
Segundo as investigações, os suspeitos conheciam a rotina das duas amigas.
“Uma das vítimas morava na Rua 9 e o Lindolfo na Rua 7, onde é
conhecido por ser usuário de drogas e pelas práticas de roubos e furtos.
Ele tinha uma área de consumo e venda de drogas que era o posto de
combustível, que fica a alguns metros do local do crime. Todos os dias
as vítimas eram vistas por ele, fazendo aquele trajeto, no mesmo
horário, indo para o trabalho", disse a delegada.
Como as vítimas já eram observadas, a polícia acredita que o crime foi
premeditado. Investigações apontam que as mortes ocorreram entre 6h30 e
7h.
“Segundo a versão do Lucas, eles estavam fazendo uso de drogas no
posto, quando as duas vítimas atravessaram a rua. O Lindolfo já sabia o
trajeto que elas faziam e disse que tinha dois celulares para 'ganhar
fácil'. Então eles seguiram o trajeto das vítimas, na frente delas para
não chamar a atenção", detalhou a delegada.
"Eles diminuíram o passo, até que as vítimas os alcançaram. Taiane foi
abordada com uma faca pelo Lindolfo, que ameaçou Bruna. Ele disse que se
ela corresse, mataria a amiga. E assim os dois indivíduos conseguem
levar as meninas para o matagal”, explicou Sara.
A polícia diz que, a princípio, a intenção dos envolvidos era a prática
do crime sexual. Mas devido a algumas circunstâncias que foram
apresentadas no depoimento, eles desistiram na hora do crime.
Os delegados Marceone Ferreita, Magno Neves e
Sara Machado participaram da coletiva (Foto: Taisa
Alencar / G1)
Prisão
A polícia chegou até os suspeitos após investigar práticas de roubos na região
e receber a informação de que Lindolfo vinha praticando assaltos na
companhia de um foragido da polícia da Bahia. Contra Lucas Conceição
existiam dois mandados de prisão em aberto pela prática de roubo no
estado.
Lucas foi preso em casa, no bairro Antônio Cassimiro, Zona Norte de Petrolina,
na madrugada da quinta. Com ele a polícia encontrou o celular de
Taiane. A prisão de Lindolfo ocorreu nas imediações do posto de
combustível desativado no bairro Cohab Massangano onde o suspeito
consumia e vendia drogas.
Os dois foram levados para a 1ª Delegacia de Polícia Civil, onde
chegaram a ser cercados por populares que tentaram agredir os suspeitos.
A polícia precisou conter a população que tentou invadir a delegacia.
Familiares das vítimas e advogados estiveram no local. Os suspeitos
foram submetidos a exame de corpo de delito no Instituto de Medicina
Legal (IML) de Petrolina e um esquema de segurança foi montado para que
os presos fossem transferidos para a Delegacia de Homicídios, onde foram
ouvidos novamente e em seguida levado para a Penitenciária Dr. Edvaldo
Gomes.